Página Oriente

 

 

 

Viagem apostólica do Papa à Polônia

de 25 a 28 de maio de 2006

Fonte: Agência VIS e Rádio Vaticano

VISITA DO PAPA À POLÔNIA  (Resumo das principais notícias e discursos)
                        Sumário:                     

1) 25/05/2006 - Chegada do Papa à Polônia

2) 25/05/2006 - Em Varsóvia, Papa denuncia os falsificadores da Palavra de Deus

3) 25/05/2006 - Programa para o clero polonês em Varsóvia

4) 26/05/2006 - Compromisso pela unidade dos cristãos

5) 27/05/2006 - Chegada do Papa em Wadowice, terra natal de João Paulo II

6) 28/05/2006 - Mensagem do Papa: "Construir a vida sobre a rocha, que é Cristo"

7) 28/05/2006 - Missa em Blonie - mais de um milhão de pessoas (e trechos do discurso do Papa)

8) 28/05/2006 - Discurso do Papa em Auschwitz-Birkenau

9) 28/05/2006 - Papa despede-se da Polônia

 

1) Papa chega à Polônia                                                                                      [<> inicial  >> Próximo]

25 MAI 2006.- Bento XVI chegou esta manhã à Polônia, para uma visita de 4 dias. No aeroporto de Varsóvia foi recebido por autoridades civis e religiosas. Entre os presentes encontrava-se o Cardeal Stanislaw Dziwisz, antigo secretário pessoal de João Paulo II, para quem esta visita – em particular a passagem por Auschwitz- tem "valor absolutamente simbólico".

 

A visita do Papa à Polônia poderá, para este responsável, servir para aproximar poloneses, judeus e alemães.
A peregrinação aos lugares da vida do seu predecessor, João Paulo II, é marcada pelo apelo “Permanecei fortes na fé", lema da viagem. Varsóvia é a primeira etapa desta viagem que se concluirá no próximo domingo. Depois de hoje dedicar o dia a vários encontros religiosos (clero, protestantes) e com o Presidente, amanhã haverá uma missa na Praça Josef Pilsudski. O mesmo lugar onde, em 1979, João Paulo II pediu aos seus compatriotas, ainda a viver sob a ditadura comunista, que não tivessem medo.

 

Bento XVI escolheu portanto a Polônia para a sua primeira visita pastoral ao estrangeiro ( o ano passado a primeira e única viagem tinha sido a Colónia para o encontro mundial da juventude) para prestar homenagem á figura de João Paulo II.

 

“Vim para seguir os seus passos, ao longo do itinerário da sua vida, desde a infância até á partida para o memorável conclave de 1978. Neste caminho quero encontrar e conhecer melhor as gerações de crentes que o ofereceram ao serviço de Deus e da Igreja e aquelas que nasceram e amadureceram para o Senhor sob os seus cuidados pastorais, como sacerdote, como bispo e como Papa".

 

No seu discurso á chegada ao aeroporto de Varsóvia, Bento XVI que leu em polonês os primeiros e os últimos parágrafos, continuando depois em italiano e confiando a tradução a um sacerdote polonês, anunciou o lema desta sua peregrinação: “permanecei fortes na fé”.

 

Recordo-o  –explicou - desde o início para afirmar que não se trata simplesmente de uma viagem sentimental, embora válida também sob este aspecto, mas de um itinerário de fé, inscrito na missão que me foi confiada pelo Senhor na pessoa do Apostolo Pedro. Também eu quero beber da fonte abundante da vossa fé que jorra ininterruptamente desde há mais de um milénio.

 

Bento XVI assumiu também que a sua viagem apostólica à Polônia quer ser um momento de diálogo com a Igreja, os cristãos e fiéis de outras religiões, bem como com a sociedade civil. Na cerimónia de boas-vindas, no aeroporto de Varsóvia, o Papa quis dirigir-se à Igreja Ortodoxa, Evangélica e às outras comunidades eclesiais, para além da comunidade hebraica e do Islão.

 

O seu primeiro pensamento foi para as vítimas do nazismo: “Irei a Auschwitz e ali espero encontrar, sobretudo, os sobreviventes do terror nazi, provenientes de várias nações, que sofreram a trágica opressão”.

 

“Rezaremos todos juntos, para que as pragas do século passado se curem com a medicação do bom Deus, que nos chama ao perdão recíproco e nos oferece o mistério da sua misericórdia”, disse.

 

As paradas escolhidas por Bento XVI são significativas pela forte referência à vida e ao pontificado de João Paulo II: Varsóvia; os Santuários de Czestochowa, Kalwaria e da Divina Misericórdia; a cidade de Cracóvia; o campo de concentração de Auschwitz; Wadowice, terra natal de Woytila.

 

País com uma grande maioria católica (mais de 90 por cento da população), a Polônia vive um forte processo de secularização e Bento XVI quer aproveitar a visita para abordar a questão das raízes cristãs da cultura europeia. Logo no seu primeiro discurso, o Papa lembrou os valores “eternos” como os do Cristianismo, que constituem “um fundamento sólido para criar um mundo melhor, no qual cada um possa encontrar a prosperidade material e a felicidade espiritual”.

 

O presidente da Polônia, Lech Kaczyński, também aludiu, no seu discurso de boas-vindas, à importância do patrimônio católico no seu país.

 

 

2) Em Varsóvia, Papa denuncia os falsificadores da Palavra de Deus        [<> inicial  >> Próximo]

 

 

25/05/2006 (Varsóvia)  -  Prossegue a viagem apostólica de Bento XVI à Polônia: durante a manhã, na capital Varsóvia celebrou a Missa com todos os bispos do país na presença de 300 mil fiéis, que a chuva insistente que caiu desde as primeiras horas do dia não desencorajou. Esta tarde a deslocação de helicóptero ao santuário de Jasna Gora onde encontrará também os religiosos, religiosas, seminaristas e representantes dos movimentos e da vida consagrada, concluindo o dia com a transferência para Cracóvia.

 

Na homilia da Missa desta manhã em Varsóvia, Bento XVI salientou que viver a própria fé como relação de amor com Cristo significa também estar prontos para renunciar a tudo aquilo que constitui a negação do seu amor. A fé, enquanto adesão a Cristo revela-se como amor que leva a promover o bem que o Criador inseriu na natureza de cada um e cada uma de nós, na personalidade de cada homem e em tudo aquilo que existe no mundo. Somente quem acredita e ama desta maneira, na visão cristã, se torna construtor da verdadeira civilização do amor da qual Cristo é o centro.

 

Bento XVI convidou os fiéis polacos a “não cair na tentação do relativismo ou da interpretação subjectiva e selectiva da Sagrada Escritura”, denunciando a tentativa da parte de “pessoas ou ambientes falsificarem a Palavra de Deus e retirar do Evangelho as verdades” segundo eles, “demasiado incómodas para o homem moderno”.

 

O Papa recordou ainda à Igreja polaca que “a fé é um dom, mas ao mesmo tempo um dever” e desenvolveu uma catequese sobre a importância da pregação da Palavra, que é de “entregar intacta” às gerações futuras, sublinhando que “muitos pregadores do Evangelho deram a própria vida por causa da fidelidade à verdade da Palavra de Cristo”.

 

A última parte da homilia foi dedicada à relação entre a fé do povo polaco, a história desse país e o seu futuro dever. Pelo que Bento XVI apelou aos polacos para que cultivem “esta rica herança de fé transmitida pelas gerações precedentes, herança de pensamento e de serviço daquele grande Polaco que foi o Papa João Paulo II”. Acrescentando a seguir: Permanecei fortes na fé, transmiti-a aos vossos filhos, testemunhai a graça que experimentastes de modo abundante através do Espírito Santo na vossa história”.

3) Programa para o clero polonês no encontro em Varsóvia                        [<> inicial  >> Próximo]

25/05/2005 (Varsóvia)  -  Uma multidão em festa seguiu o Papa, ao longo de 11 quilômetros, desde o aeroporto de Varsóvia à Catedral de São João, onde Bento XVI se encontrou com o clero da arquidiocese. O percurso do papamóvel foi prolongado, para mostrar ao Papa alguns locais significativos da cidade.

 

Junto do túmulo do Cardeal Stephen Wyszynski, Primaz polaco falecido em 1981, Bento XVI retirou-se para um significativo momento de oração. Depois, começou por enfrentar o tema das culpas cometidas, em séculos passados, pelos cristãos, convidando a uma certa cautela: junto a uma “humilde sinceridade para não negar os pecados do passado”, é preciso evitar julgar “acusações fáceis” a “gerações precedentes, que viveram noutros tempos e noutras circunstâncias”.

 

No seu discurso ao clero polaco, Bento XVI retomou o “mea culpa” de João Paulo II no Jubileu de 2000 para “pedir perdão pelo mal cometido, mas também agradecer o bem que foi feito”.

 

Referindo-se mais especificamente a esta sua viagem, o Papa disse ter confiança que “estes dias venham a refrescar a fé que temos em comum”. O segundo discurso em terras polonesas falou da história do país e do seu povo, uma “história dolorosa”, em tempos recentes.

 

“Recordemos com reconhecimento e gratidão os que não se deixaram dominar pelas forças das trevas, aprendendo deles a coragem da coerência e da constância na adesão ao Evangelho de Cristo”, disse, lembrando “as heróicas testemunhas da fé que ofereceram a sua vida a Deus e aos homens, santos canonizados e também homens comuns”.
No início desta intervenção, o Papa saudou o Cardeal Jósef Glemp, Arcebispo de Varsóvia, a quem felicitou pelo seu 50º aniversário de ordenação sacerdotal, que acontece hoje, precisamente. O Cardeal Jósef Glemp, Primaz da Polônia, pediu ao Papa a sua bênção para o país, que enfrenta o desafio das mudanças socio-políticas derivadas da sua entrada na União Européia.

 

Preocupações sociais

 

Como era esperado, Bento XVI tem lançado um olhar atento sobre a situação social da Polônia, deixando, desde já, um alerta para os problemas da família. “Quando as famílias se dividem, quando se quebram os laços sociais, a Igreja não pode ficar indiferente”, alertou.

 

“A Igreja na Polônia tem hoje o desafio pastoral de tomar conta dos fiéis que deixaram o país”, disse o Papa, “por causa da praga do desemprego”. Esse fenómeno, que afecta grandemente os polacos, tem estado na origem do grande volume de emigração.

 

Nesse sentido, Bento XVI disse aos padres polacos que não tenham “medo” de deixar um “mundo seguro” para “servir a Igreja onde faltam sacerdotes”. Hoje em dia, mais de 1500 padres polacos já trabalham fora do seu país.
O Papa espera que este serviço se dirija não só aos polacos que estão fora do país, mas também “às missões da África, da Ásia, da América Latina e outras regiões”.

 

Um outro convite ao clero pedia que fossem, acima de tudo, mestres de vida espiritual, porque deles não se espera que sejam peritos “em economia, justiça ou política”.

 

Este segundo discurso do Papa conclui-se com o lema da peregrinação, “Permanecei fortes na fé!”. “Fixando-vos em Cristo, vivei uma vida modesta, solidária com os fiéis para os quais fostes enviados. Servi todos e sede acessíveis nas paróquias e nos confessionários, acompanhai os novos movimentos e as associações, apoiai as famílias, não esqueçais os jovens, lembrai-vos dos pobres e dos abandonados”, exortou Bento XVI, numa espécie de “programa” para o clero polaco.

4) Compromisso do Papa pela unidade dos cristãos                                     [<> inicial  >> Próximo]

26/05/2006 (Varsóvia)  -  Bento XVI deixou ontem á tarde, na Polônia, votos para que os cristãos caminhem rumo à “unidade plena e visível” entre si. O Papa falava na Igreja Luterana da Santíssima Trindade de Varsóvia, onde concluiu o seu primeiro dia de viagem apostolica neste país com um Encontro Ecumênico.

 

Apelando ao “amor recíproco” que o Evangelho determina, Bento XVI espera que as Igrejas Cristãs possam assumir, em conjunto, dois compromissos concretos: o primeiro relativo ao serviço da caridade, no encontro com os irmãos “que se encontram na necessidade, onde quer que seja”; o segundo é promover “um programa comum de solicitude pastoral” rumo aos matrimónios interconfessionais.

 

Estas uniões, apesar das dificuldades que podem criar, são para o Papa oportunidade “para que se criem laboratórios práticos de unidade”. Para que isso aconteça, frisou, é necessário que haja verdadeira “compreensão e maturidade entre os fiéis de ambas as partes, bem como nas comunidades de onde provêm”.
Estas propostas de trabalho comum marcaram, claramente, a saudação que o Papa dirigiu neste encontro com representantes de Igrejas e comunidades eclesiais congregadas no Conselho Ecumônico Polonês.

 

Repetindo o que disse logo no início do seu pontificado, Bento XVI assegurou que será uma “prioridade” do seu ministério procurar que os cristãos atinjam “a plena e visível unidade entre si”, para levar a mensagem de Cristo “a todos os homens da terra”.

 

A altura foi aproveitada para saudar, ainda, os progressos registados nos últimos tempos rumo à recíproca “compreensão e aproximação”, em especial os “sucessos concretos” na Polônia.

 

O Papa mostrou-se optimista, lembrando que ao longo dos últimos anos tiveram lugar acontecimentos significativos para o ecumenismo, como a publicação da encíclica “Ut unum sint”, de João Paulo II, o acordo cristológico com as Igrejas pré-calcedonianas, a Declaração de Augsburgo sobre a Doutrina da Justificação, o encontro por ocasião do Jubileu de 2000, o reinício do diálogo teológico católico-ortodoxo a nível mundial e a participação de quase todas as Igrejas e Comunidades eclesiais.

5) Chegada do Papa em Wadowice, terra natal de João Paulo II                  [<> inicial >> Próximo]

 

 27 MAI 2006 - Na visita feita esta manhã a Wadowice (Polônia), Bento XVI voltou a manifestar o desejo de ver concretizada, o mais rapidamente possível, a beatificação de João Paulo II. Junto da multidão que o acolheu na praça central da cidade que viu nascer João Paulo II, Bento XVI disse que "quis vir aqui a Wadowice, aos lugares onde a sua fé nasceu e cresceu, para rezar convosco, pedindo que seja rapidamente elevado à glória dos altares”.

 

O Papa evidenciou as virtudes humanas e espirituais do seu grande predecessor, sobretudo, a coerência da sua fé, o radicalismo da sua vida cristã e o desejo de santidade que manifestou continuamente.

 

Finalmente não faltou o agradecimento a Deus pelo pontificado de João Paulo II, dirigindo aos poloneses um pedido: que o acompanhem com a mesma oração com a qual circundavam o seu grande compatriota.

 

O adjetivo “grande” que Bento XVI usou em três momentos do seu discurso, lido, metade em italiano pelo Papa , e em polaco por um sacerdote, testemunha os laços de grande afectos e devoção com João Paulo II.

 

Antes, Bento XVI visitara a basílica onde Karol WojtylaI foi baptizado e a casa onde nasceu e viveu . No fundo, os locais onde cresceu e amadureceu a fé daquele que viria a ser João Paulo II.

 

A cidade natal de João Paulo II recebeu efusivamente Bento XVI e colocou fotografias do Papa polaco penduradas na basílica da praça principal de Wadowice.

 

6) Mensagem do Papa:  "Construir a vida sobre a rocha,  Cristo"             [<> inicial  >> Próximo] 

 

 

28 MAI 2006 -  Ponto de partida para a reflexão do Papa foi a passagem do Evangelho de São Mateus (7, 24-27), em que Jesus fala de construir a casa sobre a rocha inabalável ou sobre as areias movediças, que a farão desabar mais cedo ou mais tarde. Bento XVI convidou os jovens a não terem medo de fazer seu o legítimo desejo duma vida plena, feliz, realizada. Uma aspiração que se exprime na “nostalgia de uma casa na qual o pão de cada dia seja o amor, o perdão, a necessidade de compreensão, e onde a verdade seja o manancial de onde brota a paz do coração”.

 

Mas que significa construir a casa sobre a rocha? – Foi em resposta a esta pergunta fundamental que o Papa articulou a sua reflexão com os jovens polacos, neste sábado à noite.

 

“Construir sobre a rocha quer dizer, antes de mais, construir sobre Cristo e com Cristo” - escutar Jesus e aplicar as suas palavras.

 

“Construir sobre Cristo e com Cristo – sublinhou Bento XVI - significa construir sobre um fundamento que se chama amor crucificado… Alguém que é sempre fiel, mesmo quando nós somos infiéis… Alguém que se inclina constantemente sobre o coração ferido do homem… e que, do alto da cruz, lhe estende os braços, repetindo por toda a eternidade: Eu dou a minha vida por ti, porque te amo…. Alguém que foi rejeitado: pedra viva rejeitada pelos homens, mas preciosa e escolhida aos olhos de Deus.

 

Esta rejeição de Jesus da parte dos homens, que continua ao longo dos tempos, até aos nossos dias, não nos deve desencorajar. “Uma fé forte deve atravessar provações. Uma fé viva deve crescer. A nossa fé em Jesus Cristo… confronta-se muitas vezes com a falta de fé dos outros”. Há que não desanimar. Não nos advertiu Jesus que mesmo sobre a casa construída sobre a rocha, se abaterão a chuva e os ventos?

 

“Estes fenômenos naturais – observou o Papa – não são apenas uma imagem das múltiplas contrariedades da condição humana, mas indicam também que estas são normais, previsíveis. Cristo não promete que sobre uma casa em construção nunca se venha a abater uma chuva torrencial, nem promete que não possa acontecer que uma vaga destruidora venha a arrastar consigo o que nos é mais caro, ou que ventos impetuosos destruam o que construímos tantas vezes à custa de enormes sacrifícios”.

 

Nada disto há-de fazer desanimar! “Um edifício construído sobre a rocha não equivale a uma construção isenta do jogo das forças naturais inscritas no mistério do homem. Ter construído sobre a rocha significa poder contar sobre a consciência de que nos momentos difíceis há uma força segura sobre a qual confiar”.

 

Quase a concluir as suas palavras aos jovens polacos, no encontro que teve lugar no parque de Bionie, nos arredores de Cracóvia, neste sábado à noite, Bento XVI observou ainda que “construir sobre a rocha quer também dizer construir sobre Pedro e com Pedro”, pois que o Senhor lhe disse Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

Se Cristo, a Rocha, a pedra vida e preciosa, chama ao seu Apóstolo pedra, isso significa que ele quer que Pedro, e juntamente com ele toda a Igreja, sejam sinal visível do único Salvador e Senhor… Não tenhais medo de construir a vossa vida na Igreja e com a Igreja. Não vos envergonheis do vosso amor a Pedro e à Igreja a ele confiada. Não vos deixeis iludir por aqueles que querem contrapor Cristo à Igreja! É uma só, única, a rocha sobre a qual vale a pena construir a casa. Esta rocha é Cristo. E uma só é a pedra sobre a qual vale a pena tudo apoiar. Esta pedra è aquele a quem Cristo disse: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

E o Santo Padre concluiu assegurando que o Papa – o de hoje, como o de ontem ou de amanhã – sempre estarão ao lado dos jovens empenhados em construir a sua vida sobre a rocha que é Cristo: “Vós conhecestes bem o Pedro dos nossos tempos. Portanto, nunca esqueçais que nem aquele Pedro que está observando o nosso encontro da janela de Deus Pai, nem este Pedro que agora está diante de vós, nem nenhum Pedro sucessivo estará jamais contra vós, nem contra a construção de uma casa duradoura, sobre a rocha, Bem ao contrário, (Pedro sempre) empenhará o seu coração e ambas as mãos para vos ajudar a construir a vida sobre Cristo e com Cristo”.

 

7) Missa em Blonie - mais de um milhão de pessoas                                      [<> inicial  >> Próximo]

 

28 MAI 2006 -  Bento XVI que esta noite conclui a sua viagem apostólica à Polônia conquistou o coração de Cracóvia e por sua vez deixou-se conquistar. Uma multidão imensa de mais de um milhão de pessoas, participou na Missa em Blonie – o parque onde João Paulo II celebrou todas as Missa das suas viagens a Cracóvia, o lugar que melhor recorda o laço profundo entre Karol Wojtyla e os polacos, o amor de Cracóvia por ele, as raízes de fé e de vida do Papa eslavo .Num dia cinzento e chuvoso, no palco enfeitado com flores vermelhas, brancas e amarelas, aos pés do qual se encontravam as autoridades civis com o Presidente da Republica, o Papa, ladeado pelos cardeais com os paramentos litúrgicos, foi acolhido pela saudação do arcebispo de Cracóvia o cardeal D. . Stanislau Dziwisz: “tem direito aos nossos corações - disse o secretário de João Paulo II- a nossa casa é a tua casa, a nossa igreja a tua igreja.”

 

“Cracóvia, a cidade de Karol Wojtyla e de João Paulo II é também a minha Cracóvia- explicou Bento XVI na homilia interrompida uma dezena de vezes pelos aplausos, e referiu que foi á Polônia por uma necessidade do coração.

 

“Vim à Polônia e a Cracóvia por uma necessidade do coração, como peregrino na esteira do meu Predecessor. Queria respirar o ar da sua Pátria, Queria ver a terra em que nasceu e onde cresceu para assumir depois o incansável serviço a Cristo e à Igreja universal. Desejava antes de mais encontrar as pessoas concretas, os seus concidadãos, sentir a vossa fé - da qual ele recebeu a linfa vital , e assegurar-me que nela permaneceis firmes. Aqui quero também pedir a Deus que conserve em vós a herança de fé, esperança e caridade que João Paulo II deixou ao mundo, e em especial a vós”.

 

Trata-se de uma herança, que implica uma especial responsabilidade: a de testemunhar ao mundo inteiro a mesma fé viva do Servo de Deus Karol Wojtyla – recordou-o Bento XVI, dirigindo-se aos fiéis polacos:

 

“Juntamente com a eleição de Karol Wojtyla para a sede de Pedro, ao serviço de toda a Igreja, a vossa terra tornou-se lugar de especial testemunho da fé em Jesus Cristo. Vós próprios fostes chamados a dar esse testemunho perante o mundo inteiro. Esta vocação permanece sempre actual, porventura por maioria de razão a partir da serena morte do Servo de Deus. Nunca falte ao mundo o vosso testemunho!”

 

Bento XVI recordou aos polacos a exortação que em 1979, aquando da sua primeira viagem à pátria, como pontífice, João Paulo II lhes dirigiu: “Tendes que ser fortes… tendes que ser fortes com aquela força que brota da fé… que traz consigo a verdadeira alegria de viver… mas também da esperança… e da caridade, consciente, madura, responsável, que nos ajuda a estabelecer o grande diálogo com o homem e com o mundo… diálogo de salvação”.

 

"Reforçados pela fé em Deus, empenhai-vos com ardor em consolidar o seu Reino sobre a terra: Reino do bem, da justiça, da solidariedade, da misericórdia. Testemunhai corajosamente o Evangelho perante o mundo de hoje, levando esperança aos pobres e sofredores, aos abandonados e desesperados, aos que têm sede de liberdade, verdade e paz. Fazendo bem ao próximo e mostrando-vos solícitos pelo bem comum, dai testemunho de que Deus é amor”.

 

A terminar, Bento XVI exortou os fiéis polacos a partilharem com os outros povos da Europa e do mundo o tesouro da fé, “em memória do compatriota que, como Sucessor de Pedro, o realizou com extraordinária força e eficácia”. “Recordai-vos também de mim nas vossas orações e sacrifícios, como fazíeis com o meu grande Predecessor, para que possa realizar a missão que Cristo me confiou” – concluiu.

 

No final da celebração e antes do canto do Regina Coeli Bento XVI dirigiu-se de maneira particular aos jovens pedindo-lhes que não sacrifiquem á droga a sua vida e liberdade e que não se deixem subjugar pelas ilusões deste mundo.


8) Discurso do Papa em Auschwitz-Birkenau                                                  [<> inicial  >> Próximo]

 

 

28 MAI 2006 (VIS).- Bento XVI deixou esta tarde o Palácio Arcebispal de Cracóvia para trasladar-se ao campo de concentração de  Auschwitz-Birkenau, a última etapa de sua viagem apostólica.

 

O Papa atravessou a pé a porta de Auschwitz onde campeam as palavras que acolhiam os deportados "Arbeit macht frei" (O trabalho os faz livres) e foi recebido pelo diretor do museu de Auschwitz  e outras autoridades civis e religiosas. Depois se dirigiu ao Pátio da Morte, onde lhe esperavam alunos ex-prisioneiros e mais tarde à Cela onde morreu São Maximiliano Kolbe, no sótão do bloco 11.

 

Na continuação se deslocou no automóvel ao Centro de Diáogo e Oração, uma instituição católica criada próxima do campo de concentração, onde abençoou as instalações.  Finalizada a  visita, percorreu três quilômetros que levam ao campo de Birkenau.  Chegando ali, o Papa de deteve primeiramente diante do monumento com as 22 lápides, símbolo do Holocausto, que recordam todas as vítimas dos campos de Auschwitz-Birkenau, e separou-se uns momentos com os representantes de outras religiões e um grupo de sobreviventes ao extermínio de diversas nacionalidades. 

 

"Tomar a  palavra neste lugar de horror, de crimes  acumulados contra Deus e  contra o homem sem comparação na história, é quase impossível, e é particularmente difícil e  angustioso para um cristão, para um Papa que procede da Alemanha", disse Bento XVI. 

 

"Em  um lugar como este Faltam palavras;  no fundo só há espaço para um silêncio desamparado, um silêncio que é um grito interior até Deus:  Senhor, por quê calaste?  Porque pudesses tolerar isso?  Nesta atitude de  silêncio nos inclinamos profundamente (...) ante a  imensa multidão de  quantos aqui sofreram sentenciados à morte;  sem embargo, este silêncio se  transforma em uma petição em  alta voz de perdão e reconciliação, um grito ao Deus vivo para que não permita jamais algo similar".  

 

O Papa recordou a  visita de João Paulo II,  "como filho daquele povo que junto ao povo judeu sofreu tanto nesses lugares e  no curso da guerra". "Seis milhões de  poloneses perderam a vida durante a segunda guerra mundial, a quinta parte da população",  recordou o então João Paulo II, e daqui "lançou o solene chamamento ao respeito dos direitos do ser humano e das nações".  

 

"João Paulo II esteve aqui como filho do povo polonês", disse Bento XVI.  "Eu estou aqui como filho do povo alemão, e precisamente por este motivo devo dizer como ele:  Nâo podeia deixar de vir aqui.  Tinha que vir.  Era e é um dever ante a verdade e  ante ao direito daqueles  que sofreram, um dever diante de Deus, o vir aqui como sucessor de João Paulo II e  como filho do povo alemão, filho desse povo sobre o que tomou o poder um grupo de criminosos com promessas enganosas, em nome de perspectivas de grandeza, de recuperação de honra da nação e sua importância, com expectativas de bem-estar e inclusive com a força do terrar e da intimidação, de forma que de nosso povo se  pudesse esar e abusar como instrumento de  seu delírio de  destruição e domínio".

 

"Quantas perguntas surgem nestes lugares!", exclamou o Papa.  "De novo nos perguntamos:  Onde estava Deus nesses dias?  Como pode tolerar (...) esse triunfo do mal? (...) Vem à nossa mente as palavras do Salmo 44; (...) esse grito de angústia que o Israel que sofre eleva a Deus nos períodos de angústia extrema, e que é ao mesmo tempo  o grito de ajuda de todos aqueles que no curso da história (...) sofrem por amor a Deus, por amor da verdade e do bem". 

 

"Não podemos perscrutar o segredo de Deus, só vemos fragmentos e nos equivocamos quando nos queremos converter em juízes de Deus e da história. (...) Não, em definitivo devemos seguir com nosso humilde e insistente grito até Ele:  Desperta! Não esqueça de tua criatura, o ser humano!"

 

"Gritemos a Deus nesse momento quando parecem surgir novamente nos corações dos homens todas as forças obscuras:  por um lado, o abuso do nome de Deus para justificar uma violência cega contra pessoas inocentes;  e por outro, o cinismo que não reconhece a Deus e que escarnece a fé n'Ele".

 

"O lugar onde nos encontramos é um lugar de memória, e é o lugar da Shoah. O passado não é nunca passado.  Nos indica os caminhos que devemos e  os que não devemos tomar. (...) Algumas lápides nos convidam  a  uma comemoração particular. (...) Há uma em língua judia.  Os poderosos do Terceiro Reich queriam esmagar ao povo judeu em sua totalidade, eliminá-lo do número dos povos da terra. (...) Se esse povo com sua existência constitui um testemunho de Deus que fala ao ser humano e faz encargo dele, então esse Deus devia finalmente morrer e  seu domínio pertencer só ao ser humano, àqueles que acreditavam ser fortes e  que haviam sabido fazer-se donos do mundo".  

 

"Também está a lápide em língua poloneza: em uma primeira faze se  queria eliminar a elite cultural e cancelar assim ao povo como sujeito histórico autônomo para rebaixá-lo na medida em que seguia existindo, a um povo de escravos.  Outra lápide é (...) a  escrita na língua sinti e rom. Aqui se queria fazer desaparecer a todo um povo, (...) incluindo entre os elementos inúteis da história universal, mediante uma ideologia em que contava somente a utilidade que se pode medir. (...) A lápide em russo, que evoca o imenso número de vidas sacrificadas entre os soldados russos durante o enfrentamento com o regime do terror nacional socialista, nos faz reflexionar também sobre o duplo significado trágico de sua missão:  libertar os povos de uma ditadura, devia servir para submeter aqueles povos a outra ditadura, a da (...)  ideologia comunista.  (...) As lápides em alemão (...) nos recordam que os alemães que vinham a Auschwitz-Birkenau eram considerados as fezes da nação". 

 

"Sim - concluiu o Papa -,  atrás dessas lápides se  esconde o destino de inumeráveis seres humanos que sacodem nossa memória e  nosso coração.  Não querem provocar nosso ódio:  ao contrário nos demonstram o terrível que é a ação do ódio. Querem levar à razão a reconhecer o mal como mal e a rechaçá-lo. Querem levar-nos aos sentimentos que se manifestam nas palavras que Sófocles põe nos lábios de Antígona frente ao horror que a  circunda: "Estou aqui não para odiar junto a ti senão para amar junto a ti".

 

9) Papa Bento XVI despede-se da Polônia                                                                           [<> inicial ]

28 MAI 2006 (VIS).- Depois do ato comemorativo dos campos de  concentração de Auschwitz-Birkenau, o Papa se trasladou ao aeroporto de Cracóvia/Balice para a cerimônia de despedida. 

 

Em resposta ao discurso do presidente da República, Lech Kaczynski, o Santo Padre recordou que quando João Paulo II se despediu há quatro anos de  sua pátria pela última vez, exortou à nação a "deixar-se guiar sempre pelo bem comum", com a esperança de que assim "não somente houvera encontrado o posto que corresponde a uma Europa Unida, senão que haveria enriquecido também com sua tradição esse  continente e o mundo inteiro".  

 

"Hoje - continuou-, quando vossa esperança na família dos Estados da Europa se vai consolidando cada vez mais, desejo repetir de todo coração aquelas palavras de esperança.  Sede fiéis custódias do depósito cristão, e transmiti-o às gerações futuras". 

 

Bento XVI agradeceu aos poloneses suas orações desde o momento em que foi eleito sucessor de Pedro e pediu que continuassem rezando por ele e rogando ao Senhor que aumente sua "fortaleza no serviço da Igreja universal". 

 

 

Após dar graças ao presidente da República e  às autoridades civis e  religiosas, assim como aos que contribuíram à boa marcha dessa viagem, o Papa concluiu com as palavras de São Paulo,  "que acompanharam minha peregrinação em terra polonesa:  "Vigiai, estai firmes na fé, sede fortes, tenhai ânimo;  todas as  vossas obras, façais na caridade".


                                                                      

Ir para a sinopse do pontificado de Bento XVI  

Ir para  Página Oriente