Santo André Corsino, Bispo  

Comemoração Litúrgica:  06 de janeiro.   Também nesta data - Santos Reis Magos e São Nilamão

 Santoral da Igreja

                                            Fatos como os que os santos Livros, referem, de Deus ter ouvido as orações de piedosos esposos e ter-lhe dado prole, depois de longo espaço de anos, passados em aparente esterilidade, têm se repetido na vida dos Santos, como prova a de Santo André Corsino. Da nobre família dos Corsini, em Florença, nasceu André no dia do Apóstolo do mesmo nome, coincidência que determinou os pais a darem este nome ao primogênito e muito desejado filho.

                                            Antes de dar à luz, a piedosa mãe teve um sonho singular, que bastante a impressionou. Viu que o filho era um lobo, o qual, correndo para a Igreja dos Carmelitas, à entrada da mesma se transformou em cordeiro. A significação deste sonho muito mais tarde se descobriu. André não foi um filho como os pais tinham desejado que fosse; muito pelo contrário. Desprezando ordens, conselhos e ameaças dos progenitores, muitos desgostos lhes causava. Certa vez, em ocasião de grande mágoa a mãe disse-lhe: “Meu filho, estou vendo que és o lobo que me foi mostrado em sonho. A primeira parte deste sonho está realizada. Quando chegará a segunda, que te mostre transformado em cordeiro ?”  Muito impressionado com estas palavras da mãe, André pediu-lhe que lhas explicasse. A mãe contou-lhe o sonho e ainda que havia feito o voto a Deus e Maria Santíssima de consagrar o filho a seu santo serviço, voto este cujo cumprimento não só dela dependia.

                                            André, muito comovido com o que ouvira, caiu aos pés da mãe, chorou amargamente e prometeu emenda de vida. Contava ele 17 anos. Foi à Igreja dos Carmelitas, pediu admissão na Ordem do Carmo e começou uma nova vida. Tentações as mais terríveis e impertinentes, que o demônio, a carne e o mundo lhe causaram, com a graça de Deus corajosamente as venceu e ficou perseverante na santa vocação. Após o noviciado, os superiores mandaram-no para Paris onde, com muito brilho, concluiu os estudos. Quando soube que os parentes lhe preparavam carinhosa e festiva recepção em Florença, onde devia celebrar a primeira Missa, foi a um convento bem distante da cidade natal e celebrou a Missa com todo o recolhimento.

                                            Já naquele tempo se lhe notavam coisas extraordinárias na vida religiosa. A um primo seu, João Corsini, livrou de um tumor maligno na garganta, impondo-lhe as mãos e fez com que este parente se convertesse a Deus, depois de ter levado uma vida bem desregrada.

                                            Convidado para batizar o filhinho de um amigo, durante a santa cerimônia começou a chorar amargamente. Aos que lhe perguntaram o motivo daquela comoção disse: “Choro, porque esta criança nasceu para a desgraça da família”. E assim aconteceu. O infeliz filho morreu como traidor da pátria e todos os parentes foram degradados.

                                            Poucos anos depois foi nomeado superior do convento em Florença e nesta qualidade, principalmente como pregador, trabalhava com muito bom resultado. Quando morreu o Bispo de Fiesoli, o cabido daquela diocese elegeu André para sucessor. Este, porém, sabendo desta eleição, retirou-se a uma cartuxa bem distante, e baldados foram as diligências para encontrá-lo. Houve então segunda sessão dos eleitores, para procederem a uma nova eleição. Não chegaram a realizá-la, pois uma criança de três anos exclamou em alta voz: “Deus quer que André seja o nosso Bispo. Ele está na cartuxa em oração”. Uma comissão que para lá se dirigiu, achou o Santo, como a voz infantil tinha afirmado. André, por sua vez, teve um aviso do céu para aceitar o novo cargo.

                                            Sendo Bispo, em nada modificou a vida, a não ser nos exercícios de penitência que redobrou. Sabendo que Deus exige do Bispo maior santidade que os fiéis e do clero, André não se poupou, para corresponder a esta exigência. O uso do cilício era constante. À recitação do breviário acrescentou a dos salmos penitenciais e uma dura flagelação. A mesa do Santo Prelado era pobre e o jejum freqüente hóspede em sua casa. Grande parte da noite passava-a em oração e meditação e, para repouso, servia-lhe uma cama dura e incômoda. O trabalho diurno era dedicado à administração da diocese, à instrução religiosa da mocidade e às visitas aos doentes. Conversas com pessoas de outro sexo eram limitadíssimas; aduladores e caluniadores detestava-os, e grande amor devotava aos pobres. Como o Papa São Gregório, possuía um canhenho, com os nomes e as necessidades dos indigentes.

                                            Não podia o Bispo deixar de ser alvo das simpatias dos diocesanos. Todos o amavam como um verdadeiro pai e o veneravam como um Santo. Desta maneira era muito grande a influência que André exercia sobre os espíritos dos súditos. Muitos se converteram, outros fizeram as pazes com os inimigos. Em Bolonha existia uma grande divergência entre a aristocracia e o povo. Todas as tentativas da parte do clero e de pessoas importantes, para conciliar os partidos, tiveram resultado negativo. Receando piores conseqüências, o Papa Urbano V, incumbiu ao Bispo de Fiesoli a missão de restabelecer a paz entre as duas partes inimigas. O que parecia coisa impossível, André o conseguiu, e seu nome estava na boca de todos, que o bendiziam como anjo da paz.

                                            No ano de 1372, na noite de Natal, teve um desmaio. Uma voz do céu anunciou-lhe a morte para o dia 6 de janeiro. No dia seguinte lhe sobreveio uma febre, que não mais o deixou. Preparando-se para a viagem à eternidade, recebeu com muita devoção os santos Sacramentos. As suas últimas palavras foram: “Agora deixai, Senhor, partir em paz o vosso servo, segundo a vossa palavra”. – O corpo do Santo descansa na Igreja dos Carmelitas, em Florença. O povo, em vez de rezar pelo descanso eterno da alma do Bispo, dirigia orações ao que tinha em reputação de Santo.

                                            Urbano VIII canonizou-o em 1639. Santo André Corsino é padroeiro da cidade de Florença.

Reflexões:

                                            Santo André Corsino, não achando tempo necessário para rezar de dia, tomava  as noites, passando-as em colóquios com Deus. O mundo chama isto extravagância, senão mania religiosa. Mania, a seu ver, não é passar as noites no jogo, nos bailes e divertimentos e perder tempo com futilidades e na ociosidade. O conceito que Deus fará dos Santos e dos filhos do mundo não poderá ser duvidoso. “Meu Deus e Senhor – exclama São Lourenço Justiniano – quanto tempo de minha vida passou sem eu dele ter tirado proveito ! Que direi no dia do juízo ! Como poderei levantar os olhos a vós, Senhor da minha vida, quando exigires conta dos dias da minha existência !” Assim falava um Santo, seriamente preocupado com a responsabilidade que tinha perante Deus do uso que fez do tempo.

-         Que uso fazes do tempo, que Deus te deu ?  Lembra-te que deves dar conta a Deus da tua administração.

                                            Achando-se doente, Santo André recusou os remédios que se lhe ofereciam, para diminuir-lhe o sofrimento. Deus não exige de ti este sacrifício. O uso de remédios é lícito. Lícito é o recurso a medicamentos, que trazem alívio a dor. É inegável porém, que Deus nos manda doenças e dores para beneficiar a alma. Para muitos uma doença é um bem extraordinário. Nos sofrimentos  se lembram de Deus e fazem penitências. “A doença do corpo é saúde para a alma”, diz São Gregório. “Muitos há, diz Santo Agostinho, que, achando-se doentes, não pensam em impurezas, enquanto que gozando saúde, são escravos da luxúria”.

-         Se Deus te mandar uma doença, aceita-a humildemente e entrega-te cegamente a sua Providência.

                                            Antes de dar à luz o filho, a mãe do Santo teve um sonho singular. Sonhos há que têm por autores os Anjos ou o próprio Deus; são benefícios e contribuem extraordinariamente para a santificação do homem, como provam numerosos fatos do antigo e novo Testamento. Sonhos diabólicos perturbam e têm por fim afastar o homem do bem e incitá-lo ao pecado. Muitos são os sonhos e em sua quase totalidade, simples ativações do sistema nervoso e como tais, nenhuma importância têm. Há pessoas, e não poucas, que atribuem aos sonhos uma influência poderosa sobre a vida, e com muito empenho procuram obter-lhes a explicação. Esta prática é supersticiosa, é pecado. Uma palavra do Espírito Santo não te deixará em dúvida sobre o valor dos sonhos; ele diz: “Não ponhas nele o teu coração, porque os sonhos têm feito extraviar a muitos, que caíram, por terem posto neles a sua confiança”. (Ecl. 34.  6, 7).

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Referência bibliográfica: Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais,  1959.