Santo Higino, Papa e Mártir

Comemoração litúrgica: 11 de janeiroTambém nesta data: São Teodósio, São Sálvio e Santa Honorata 

 

Pontificado 138 a 142

 

                                                A Igreja  comemora no dia  11 de janeiro  a  festa  do Papa Santo Higino,  sucessor  de  São Telésforo.  Governou a Igreja Católica  com  muita determinação e coragem, frutos de  sua  fé  e constantes lutas  no empreendimento do plano da Salvação.  Como não poderia deixar de ser, seu destino foi  o martírio,  característica  que marcou  a  ferrenha evangelização de  seus predecessores.  

                                                Era grego de Atenas e quando assumiu a cadeira apostólica,  reinava o imperador Antônio Pio.  Os inimigos da Igreja a perseguiam implacavelmente,  pois sentiam que  a adoração dos seus deuses e  ídolos corriam grave risco de serem abandonados, ante a constante e crescente  difusão dos princípios da sã doutrina.

                                                A malignidade os hereges, ao mesmo tempo,   tentava de todas as maneiras semear a cizânia no campos do Senhor, para confundir e corromper a pureza da santa doutrina assimilada pelos fiéis católicos. 

                                                Praticamente  todos  os  inimigos declarados da Santa Religião de Cristo, já haviam estabelecido-se em Roma a  fim de envenenar a fonte da doutrina evangélica e por isto, chegaram eles a fazer progressos.  Usando de diversas modalidades e  artifícios,  por trás de uma máscara de piedade, conseguiram arrastar adeptos que deixaram-se  emaranhar nas malhas do erro e da perdição.   Marción, famoso hersiarca já separado da Igreja,  não podendo ser admitido na comunhão dos fiéis, precipitado pela heresia de Cerdon, enganou a muitas pessoas ingênuas, usando  aparência de piedade e virtude.  Mesmo sabendo das  conseqüências que isso acarretaria, Santo Higino combateu publicamente contra os hereges e converteu muitas pessoas ao retorno da doutrina imaculada.  São Justino,  luz brilhante de seu século, também muito lhe auxiliou nos progressos que obteve nesta luta.  Acabou sendo martirizado algum tempo depois em função da ditosa participação nas  empresas do grande Pontífice.

                                                Santo Higinio empreendeu também a reforma do clero, definindo os respectivos graus hierárquicos.  Ainda que estivessem estabelecidos desde os tempos apostólicos,  com  vários regulamentos posteriores de disciplina, uns acabaram sendo confundidos, outros relaxados.  Restituiu, assim, sua perfeição, ordenando cada um dos graus eclesiásticos e  as suas  respectivas funções. Estabeleceu ainda muitos decretos,  especialmente os que tratam dos ritos e cerimônias na celebração do Santo Sacrifício. Introduziu as figuras do padrinho e  da madrinha no rito do Batismo.   Igualmente mandou que para na consagração de novos templos, fosse  celebrado, antes de tudo, o sacrifício da Missa, e ainda, que as igrejas não fossem erigidas nem demolidas sem expressa  licença dos bispos.  Proibiu que fosse cedido para usos  profanos, qualquer coisa que se relacionasse com o culto divino. Ordenou quinze presbíteros, cinco diáconos e  sete bispos para diferentes igrejas. 

                                                Por muito tempo, suspirou nosso Santo pela coroa do martírio. O ardente zelo que demonstrou em todas as  suas ações e providências em dilatar o reino de Jesus Cristo,  fez com que o imperador Antônio Pio decretasse sua execução,  ocorrida no dia 11 de janeiro.  Seu corpo foi sepultado ao lado do Príncipe dos Apóstolos. 

Reflexões:

Santo Higino é o 9º Papa da Igreja a receber, como seus  predecessores,  a  coroa  gloriosa do martírio.  As paredes da Santa  Igreja,  levantadas sobre pedra firme, foram sendo lavadas e  purificadas  com o sangue dos nossos Papas e de  inúmeros fiéis da Igreja primitiva.  E foi assim que, durante a história da Igreja,  diversas  batalhas  foram sendo travadas. Nesta luta, sempre vitoriosa,  a Igreja permaneceu imaculada na  sua doutrina divina, onde o poder do mal,  apesar das constantes investidas, jamais conseguiu prevalecer, conforme a promessa do Divino Mestre.  Necessárias e inevitáveis, porém,  foram as  baixas e o derramamento de sangue dos nossos  santos mártires. 

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Referência bibliográfica: Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais,  1959.