Santo Eleutério, Papa e Mártir

Comemoração litúrgica: 26 de maio. Também nesta data: São Filipe Néri;  Eva de Liége, Maria Ana e N.  S. do Caravaggio

   

 

Pontificado 174 a 189

 

                                                    Santo Eleutério, sucessor de São Sotero foi o 13º governante da Igreja de Cristo a receber, assim como seus antecessores,  a coroa heróica do martírio.  Era grego de Nicópolis e durante o pontificado de Santo Aniceto (11º Papa),   ascendeu ao diaconato, onde atuou  com brilho e empenho. Presenciou, assim,  as  perseguições que culminaram  no martírio  de  inúmeros  cristãos, pelas mãos dos imperadores e magistrados  que trabalhavam em conluio  com altos líderes  pagãos e heresiarcas,  que temiam a crescente expansão da  verdadeira doutrina.

                                                    Foi eleito no ano de 174 e traçando o mesmo rumo dos predecessores, combateu veemente os falsos deuses  e  doutrinas contrárias à verdade. Fixou, assim, diversas metas visando dar continuidade a luta ora empreendida, sobre o solo banhado de sangue pelas baixas do martírio.  Tão eficaz foram suas prédicas, que o  fogo da  heresia e do paganismo sentiram duro golpe.  As chamas  do erro começaram a declinar, de forma que conseguiu estabelecer-se um tempo de paz  para os fiéis católicos. Muitas conversões se verificaram entre cidadãos de Roma e também pessoas da alta nobreza.  Cansados da superstição, e principalmente da constante investida imperial contra os cristãos, vítimas das  crueldades mais abomináveis, acabaram convertendo-se ao Senhor e agregaram-se ao povo de Deus, engrossando as fileiras da verdade, sob a luz do Evangelho.

                                                    Durante esta proveitosa fase de evangelização,   mandou  dois varões justos, Damião e Fugácio à  Inglaterra para ensinar os  princípios  da fé a Lúcio, rei daquele império. Ele os recebeu alegremente.  Atento aos  ensinamentos da verdade, junto com a esposa  e grande parte da população,  aceitou finalmente em receber o santo Batismo. Isto o fez publicamente, arrebanhando adeptos em todos os  cantos reino.  Foi  o primeiro governo do mundo a  declarar-se cristão,  por decreto público e com parecer firmado pelo rei diante dos  súditos. Esta célebre conversão ocorreu por volta do ano 183.

                                                    Inconformada pelos ventos favor da são doutrina,   a chama da heresia tentou de todas as formas  reerguer-se.   Uniram-se os líderes da heresia neste embate, que foi protagonizado pelos Severianos, Marcionitas e Valentinianos.   Santo Eleutério, porém, contra-atacou imediatamente e grande auxílio recebeu de Santo Irineu, amigo e discípulo de São Policarpo e de Papias.  Ele (Santo Irineu) havia sido enviado pela Igreja de Lion -  França, local  onde redigiu inúmeros  escritos contra os hereges, mostrando com grande sabedoria, os disparates que ensinavam para confundir o rebanho. Retornando a Lion,  foi consagrado bispo e sofreu constantes perseguições, para ser  posteriormente derramar seu sangue pela fé.

                                                    Santo Eleutério firmou muitos decretos canônicos, alguns deles destinados a aniquilar alguns conceitos heréticos, que tentavam disseminar-se entre a  santa doutrina.  Uma seita puritana fanática,  intitulada de montanistas ou maniqueus,  tentava difundir a proibição divina do consumo de carne e alguns outros manjares, que aos olhos do Deus seriam maus na sua essência. Alegavam ainda que os fiéis deveriam agir assim, para refrear todos os seus apetites carnais.  Como tal conceito ameaçava infiltrar-se no seio da Igreja,  o Santo Padre decretou que ninguém poderia desprezar, por mera supertição, gênero algum de alimento que Deus deixou à disposição para consumo humano.  Disse  ainda não ser lícito ao homem desprezar e abster-se definitivamente de qualquer  alimento, mesmo que farto e saboroso. Mas que a abstinência deveria ser praticada em obediência à Igreja, mesmo porque estabelecera os tempos próprios do ano, dedicados ao jejum e à abstinência. Deixou claro ainda,  que ninguém pode definir como mau, os alimentos de consumo que o Senhor concedeu aos  homens.

                                                    Outros  decretos canônicos  que  firmou em seu pontificado, foi que nenhum sacerdote fosse sumariamente deposto, sem que primeiro fosse  legitimamente comprovada a  existência de delito grave, e que  nenhum ausente fosse condenado antes de  ser ouvido.   Procedeu, por três vezes, ordenações no mês de dezembro, e nessas vezes  ordenou oito diáconos, doze presbíteros e quinze  bispos.

                                                    Governou com sabedoria o rebanho de Cristo e,  pela sua  firmeza de caráter e energia contra as  chamas do erro,  acabou sendo martirizado no governo do imperador Cômodo. Não há, porém,  detalhes precisos que especifiquem o tipo de martírio com que glorificou a Deus. 

Reflexões:

De caráter bem formado e  neste exercício prático  do  sagrado magistério, Santo Eleutério atingiu a todos, pobres e ricos, ignorantes e letrados,  fazendo acender mais viva do que nunca a obra da redenção  por sua inspiração divina. Para perplexidade dos inimigos da Igreja,  tanto mais aumentava o número de mortos pelo martírio, mais  se fortalecia  a Santa Religião. Se hoje a chama da perseguição já não apresenta feições tão sérias,  foi graças ao rio de sangue que correu naqueles tempos difíceis,  formando uma sólida base na edificação da Igreja de Cristo.  

 

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Referência bibliográfica: Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais,  1959.