Santo Anacleto, Papa e Mártir

Comemoração litúrgica: 27 de abril.  Também nesta data: Santa Zita, São Tertuliano e São João, Abade  

 

Pontificado - 79 a 92  d.C. 

 

                                          Santo Anacleto,  também conhecido por São Cleto, foi o terceiro Papa da Igreja Católica, portanto, o segundo  sucessor de São Pedro na Sé apostólica. 

                                          Era de origem romana, da família  dos pretorianos. Convertido à fé, fez-se discípulo de São Pedro, se bem que por pouco tempo, mas o suficiente para absorver as virtudes angélicas na escola de  seu mestre, de forma que destacou-se  por seu grande fervor e admirável devoção.  Com sua afabilidade, conquistou o coração de todos, tendo especial simpatia mesmo entre os pagãos.  São Pedro tanto apreciou Santo Anacleto que, assim como São Lino, o designou para importantes  trabalhos apostólicos em Roma e lugares circunvizinhos.  

                                          Assumiu o trono pontifício logo após o martírio de  seu predecessor, São Lino, no ano 79.  Da mesma forma, enfrentou as  dificuldades,  perseguições e constantes investidas,  defendendo com muita coragem as causas da Igreja de Cristo.  Em todo o  império romano, não havia província tão remota e nem  rincão tão escondido, que não sentisse os efeitos da sua caridade e preocupação com as  necessidades dos cristãos.  A uns, socorria com esmolas, a outros, alentava com cartas, e  a  todos consolava e dirigia com paternais instruções.  Ainda que seu rebanho fosse extremamente numeroso, pastoreava os cristãos com extrema vigilância.

                                          Ao completar doze anos  no governo da Igreja, o imperador Domiciano,   inimigo mortal dos cristãos, moveu  contra a  Igreja uma das mais horríveis e atrozes perseguições. Foram usadas  todas as formas de crueldades contra os  servos de Cristo.  Deflagrou uma verdadeira tempestade que simultaneamente atingiu todos os cantos do império.  Tão fulminante foi a ordem de extermínio que,  somente em um dia, tombaram milhares de mártires cristãos,  cujo sangue correu desde a parte central  até  às regiões mais longínquas do império. Mas  pouco caso o tirano fazia  da exterminação do  rebanho,  pois tomou conhecimento que o Pastor ainda vivia e por isto,  concentrou contra ele toda a  sua ira.  Ordenou aos guardas que fosse  encontrado o Pontífice romano, o qual não cessava de percorrer, de dia e de noite,  todas as  cidades e lugarejos, campinas, grutas  e  mesmo cavernas, usadas  como esconderijo cristão.  Na sua peregrinação, Santo Anacleto procurava consolar e assistir os cristãos, durante este duro período.  Acabou sendo encontrado e  foi arrastado e metido num cárcere, amarrado por cadeias.  Grande alegria demonstrou, para admiração de todos,  pois nutria o desejo de poder derramar seu sangue por Cristo. O tirano, ainda  que impaciente em acabar com a vida do Pontífice, submeteu-lhe a  diversos tormentos.  Foi, pois, finalmente martirizado no dia 26 de abril de 92.  Seus  restos mortais encontram-se na Igreja de São Pedro, no Vaticano.    

Reflexões:

Não fosse a Igreja divina e nossos Papas constantemente assistidos por Deus, já teria vergado nos primeiros sinais de provação.  Por graça de Nosso Senhor, jamais  os inimigos  conseguiram  vitória sobre o trono de Pedro.  Santo Anacleto,  numa época de  constante perseguição,  sabendo que seus antecessores morreram defendendo a  fé, assumiu com muita determinação e bravura a divina missão.   Terceiro Papa e terceiro Mártir,  defensor implacável da Igreja.  

Foi pelo empenho  na propagação do Evangelho e conseqüente  testemunho dos mártires,  que  a santa doutrina permaneceu intacta até os dias de hoje.  Eles derramaram o sangue não por  ideologias terrenas, mas pela propagação da verdade, de Jesus  Ressuscitado.  

Hoje, a nossa luta  é outra, mas não menos  terrível.  A luta contra os inimigos exteriores, que por toda a  parte surgem  com  novas modas indecentes, programas de rádio e televisão, sites escandalosos no mundo digital.  Também a  luta contra os inimigos interiores que,  sem cessar,  tentam seduzir e desvirtuar nossos princípios.  A imoralidade,  a  indiferença aos valores da Santa Religião,  apego desenfreado aos bens e prazeres,   nos levarão à desgraça eterna, se não lhes opusermos a  mais decidida resistência. 

                                    *  *  *  *  *  *  *  *  *

  Ir para  Página Oriente         

 Ir para história dos  Papas desde  São Pedro

Referências: Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais,  1959;   outras  fontes na página principal deste capítulo (Papas)