Santo Alexandre, Papa e Mártir

Comemoração litúrgica: 03 de maioTambém nesta data: Filipe e Tiago Menor - Apóstolos;  Santa Maura

 

Pontificado 107 a 116 d.C.

 

                                             Santo Alexandre I, natural de Roma, foi o sexto Papa da Igreja.  Sucedeu a Santo Evaristo, no ano 107 e  tinha apenas 30 anos de idade quando assumiu a  cadeira de São Pedro. Apesar da idade, exercia já grande influência sobre as pessoas,  pela sua extrema piedade e reconhecida santidade.  É o sexto Papa da Igreja e também o sexto a  tombar em defesa da fé. 

                                             Era com muita força que suas pregações atingiam o coração das pessoas, de forma que foi o responsável pela conversão de muitos senadores e grande parte da nobreza romana, dentre os  quais um prefeito de  nome Hermes e de seus entes, totalizando a conversão de mil duzentas  e  cinqüenta pessoas.  Isto acabou culminando na  sua prisão,  por força de mandado expedido pelo governador Aureliano.  Trancafiado na  cadeia, fez muitos e  grandes milagres. Certo dia,  estando nela algemado,  veio à noite um menino com uma tocha acesa nas mãos e lhe disse: "Siga-me, Alexandre";  e havendo feito uma oração,  entendendo que era o menino um Anjo do Senhor, lhe seguiu, sem que as  paredes, nem portas, nem guardas lhe impedissem  a  saída do cárcere.   O menino lhe guiou até a casa do tribuno Quirino, onde encontrava-se  preso Hermes, que muito desejava ver Santo Alexandre.  Hermes havia dito a Quirino que por mais que estivesse  preso, Alexandre viria à sua casa.  

                                             Quando se encontraram,  abraçaram-se os  santos mártires e derramaram muitas lágrimas de consolo, e  animaram-se mutuamente a morrer por Jesus Cristo. Tal fato assombrou o tribuno Quirino, que já havia ouvido alguns argumentos de Hermes e as razões da conversão e  da sua fé em Jesus.  Ao ser naquele momento,  sua filha curada de grave enfermidade com o toque das algemas de Santo Alexandre,  Quirino converteu-se também ao cristianismo,  com sua filha e  todos os presos que estavam no cárcere. Santo Alexandre, assim,  mandou que os sacerdotes Evêncio e Teódulo os batizassem naquele dia. 

                                             Chegando esta notícia a  Aureliano,  encheu-se de furor e ordenou que fossem atormentados os que haviam sido batizados no cárcere, mandando que trouxessem à sua presença Alexandre, com os dois presbíteros Evêncio e Teódulo e disse-lhes:  "Deixemos de práticas e  vamos direto ao caso";  ordenou que que os carrascos dilacerassem a Alexandre,  lhe arrastassem com um potro e lhe atormentassem com golpes sua carne, bem como que queimassem seu costado com chamas  acesas.  Após estes tormentos,  Alexandre permanecia calado.  Então, Aureliano  perguntou:  "Por que te calas?   Por que não te queixas?".  Respondeu Alexandre: "Quando um cristão cala, com Deus fala". 

                                             Aos mesmos  tormentos foram submetidos Evêncio e Teódulo.  Evêncio, tinha 81 anos de  idade,  fora batizado com 11 e  ordenado sacerdote aos 20.   Os tormentos eram intensificados,  mas ao invés de aterrorizá-los,   manifestavam cada vez mais  fé e amor a Deus. Aureliano, assim, mandou acender um forno e mandou fechar Alexandre e Evêncio, mas  deixou Teódulo próximo à abertura da porta, para que vendo como se abrasavam,  sacrificasse aos deuses pelo temor de semelhante castigo.  Entretanto, Teódulo não espantou-se ao ver a chama cobrindo seus companheiros; pelo contrário,  incendiado pelo amor divino,  desejou ser lançado com eles que, de dentro do forno,  lhe chamavam e diziam que onde estavam não havia dor e nem tormento, senão refrigério e  descanso. E assim foi;  as  chamas  não lhes causou mal algum e todos saíram do forno mais  resplandescentes do que o ouro. 

                                             Não abrandou-se, porém,  o coração duro e  rebelde do tirano, que mandou degolar Evêncio e Teódulo. Com umas setas de aço muito agudas,  mandou que fossem atravessados todos os  membros do corpo de Alexandre, para que morresse mais cruelmente, sendo degolado no dia 03 de maio de 116, sob o império de  Adriano.   

                                             Durante seu pontificado, Santo Alexandre estabeleceu que durante a celebração da Eucaristia fosse  usado na consagração,  pão sem fermento. Também decretou que antes da consagração do cálice com vinho,  fosse nele mesclado um pouco de água,  significando a  união de Cristo com sua Igreja e,  para representar a água e o Sangue que saiu do seu costado. Pronunciou excomunhão contra todos os  que impedissem aos legados apostólicos,  de cumprir as  ordens do Sumo Pontífice.  Consagrou cinco bispos,  seis presbíteros e dois diáconos. Escreveu três epístolas,  que são conhecidas  como o "primeiro tomo dos Concílios", onde constam os aludidos decretos e ordens. Consta também outra regra muito importante, que trata da bênção da água com sal,  nas cerimônias que até hoje a Igreja celebra,   seu uso nos templos, casas e  aposentos, contra as tentações e ciladas dos demônios, que  continuamente nos perseguem com seus malignos ataques.  Este  costume tem sido preservado na Igreja Católica desde os primórdios, e o Senhor tem feito inumeráveis milagres, de muitas e  diversas maneiras por meio da água benta,  sanando todo o gênero de enfermidades,  apagando fogos e incêndios, sossegando as tormentas do mar e  tremores de terra, tempestades, furacões, raios do céu, e livrando corpos de demônios. 

Reflexões:

Santo Alexandre assumiu o pontificado com 30 anos de  idade e recebeu a  palma do martírio com 39.  Embora jovem,  ficou marcado como pessoa de extrema firmeza  de personalidade.  Sendo seus predecessores todos mártires,  é certo que Santo Alexandre tenha constatado que com ele não ia ser diferente. Em curto espaço de tempo,  estabeleceu normas canônicas para práticas usuais desde a  aurora da Igreja.  Cônscio de  seu poder e  autoridade divina,  fez questão de imprimir  pena de excomunhão,  para quem  viesse  a  impedir que seus legados apostólicos  cumprissem suas ordens, numa claríssima evidência da infalibilidade papal, implícita desde os primórdios, e que viria a ser estabelecida como regra canônica em 1854. Deixou para a Igreja, uma bela herança de valiosas normas  canônicas  e de  testemunho cristão em grau elevadíssimo.  O valor da água benta, no combate aos males do corpo e do espírito, é uma poderosa arma de batalha a todos  os tipos de  investidas interiores  e exteriores. Aliás, há três coisas  que o demônio não suporta: A água benta, as contas do Santo Rosário e a imagem do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria.  Usemos diariamente, portanto, as armas que o Senhor disponibiliza na guerra contra o espírito maligno.  

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